Arte

Nas lacunas da tua voz impera o vazio, substanciado pelo imperativo psicótico do meu aguçado ego. É quase como se, indo de encontro ao teu corpo por certo ângulo, eu fosse capaz de atravessar-te. O meu entendimento de nós permanece como começou: dormente. E mesmo com toda voz do mundo, não soube convencer-te a acordá-lo... Que custo tem iluminá-lo de qualquer forma? Um nome? Um gosto? E qual nome e gosto fossem, que diferença faria? Se tu és Carla, José ou Maria? Repudia-me? Me amaria? Não. Nada importa. Pra mim, tua criatura será insistentemente alienígena, incoerente e alienante. O aroma da tua verdade é, portanto, irresoluto: ora me traz pra perto, ora me atesta longe. Talvez seja essa uma segura distância, eu diria. Boa pra te ver passar.

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