Âmago

Sonhei com a idealização da minha vida apenas até almejar a completude do âmago. Hoje posso dizer que não me falta nada, embora falte-me muito. O inalcançável serviu, pra mim, como uma desculpa mal formulada pra continuar no jogo do capital. Não é pra mim se eu não preciso. Talvez a eles falte mais, eu não sei. Eu nunca fui os outros pra saber como pensam ou vivem. É engraçado perceber: cada ser humano é dotado de uma singularidade que impede julgamentos, tornando-os pífios na incompletude - até vis eu direi! - com nenhum outro propósito senão os da discórdia e ruptura. Eu já caminhei por esse lado também. Quando não há suficiente, dividimos. Já no excesso, queimamos a produção para secar o povo de vontade. O que que tem aqui de verdade nesse asfalto negro? Então parei: preparei minhas coisas e mergulhei em mim - apenas para descobrir-me bem maior que eu mesmo. Olhei pra trás e não sufoquei, não almejei, não sucumbi. Fechei os olhos e senti o sol. Caminhei na grama e senti a chuva que caiu de madrugada. Tive que ficar. Tive que ficar e fiquei: dentro do meu próprio eu, imerso nos meus e nos nossos.

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