Sobre o amor

Acho que amar é diminuir a distância entre o que está fora e o que não está. Como se, de forma gradativa, o sussurro começasse a invadir mais do que o grito. Dizem que o amor mata: é verdade. Não posso dizer que sobrou alguma parte do que eu fui antes de amar, portanto quem eu fui está morto. Eu não diria morto, mas livre. Olho para o passado e me imagino preso em uma bolha cujos limites eu nunca havia me atrevido a tocar, fervorosamente crente de que sentir era o tocar de bolhas. Enjoei do meu lugar e tentei me esticar pra beirada. Tentei primeiro com as pessoas: nada. Não sei se sou eu quem ama errado, mas seria loucura pensar que ninguém é capaz de amar: deixo em aberto.
Conforme sofri, comecei a ouvir música triste e chorar. Chorei até perceber que não estava chorando porque fui magoado, mas porque a música atravessou a minha bolha: percebi que já amava.  Passei a chorar, sorrir e dançar consciente de que estava amando e amei todos esses momentos. Quando esses momentos foram acontecendo em lugares coincidentes, amei esses lugares. Quase sem perceber, comecei a tudo amar um pouco. Eu, como parte desse todo, passei a me amar também. Aí então eu aprendi a amar pessoas.

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