Paris
Ela engoliu Paris. Atravessou a rua como quem não vê, aventurou-se pelos becos e despertou os sujos, moribundos e meliantes. Seu caminhar congelou as janelas e aconchegou os amantes, que cessaram as diferenças. A fumaça de cada cigarro se misturou com a névoa e, por algum tempo, transformaram-se numa coisa só - a mando dela. Alegrou os trabalhadores cansados, escondeu as cicatrizes da cidade e beijou as plantas. Dona do oculto, não se conteve e mostrou os dentes, atiçando os assassinos, loucos e delirantes. Mas nada poderia parar seu caminhar enquanto avançava, hora após hora pra lugar nenhum jamais chegar. Repetiu o percurso sem pestanejar até que Ele se apagasse. Era Sua a ausência a fazia caminhar.
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