Tudo é bom.

Nós humanos gostamos de pensar que crescemos com os nossos erros. É uma falácia. Podemos facilmente nos perder no processo e ninguém nunca fala sobre essa possibilidade porque nenhum deles quer admitir isso pra si próprio. Estamos todos cegos, trilhando nossos caminhos pessoais e acreditando que um dia "faremos a diferença". Verdade seja dita, não existem super-heróis como nas histórias em quadrinhos. Não existem personagens principais aqui, nenhum homem jamais conquistou nada sozinho. Não estamos sozinhos no momento em que nascemos e certamente não estamos sozinhos no momento em que morremos, mas não percebemos isso porque o próprio conceito do que é a existência pra nós está incompleto. Melhor dizendo: você não existe apenas em você. A sua imagem é o reflexo de tudo à sua volta que lhe tocou e tudo à sua volta que você tocou é reflexo de você também. A solidão é um conceito. A cada canto que se olha - até mesmo em outros planetas - existem vestígios da história à qual fazemos parte. Não somos, infelizmente, o centro dessa história, que é composta de infinitas outras, compondo este planeta de uma forma que o caracterizamos como "vivo". Você entende isso. A todo momento gostamos de lembrar que estamos fazendo parte de um "Plano Maior", seja ele governamental, sentimental ou divino. Essa é a parte que faz com que cada um de nós se sinta importante, então memorizamos para futuras - desculpe o termo - masturbações mentais. Mas não se desespere, sua liberdade pessoal nunca esteve em jogo. Somos controlados pelo ambiente, mas também o controlamos: somos parte dele. O maior erro de nós é pensarmos que somos inteiros, como pequenos universos separados por um vácuo adimensional: não somos, nunca fomos. Também gostamos de acreditar na maldade, mas sua própria existência é governada pelo termo mau. O que é mau? O que é ruim? Num futuro progressista para a humanidade, a palavra seria substituída por um termo como "inconstância", já não é tão difícil de enxergar. Não existe pessoa no mundo que queira verdadeiramente o mal da outra tão quão deseja o próprio bem estar. Uma vez percebida a ausência lógica do individual, a convivência torna-se menos massacrante. Hoje, se existe um conflito, ambas as partes se repelem e passam a se abominar. Vocês discutem colocando perspectivas diferentes sobre o mesmo objeto. A verdade palpável, se houver alguma, estará sempre mais próxima de uma teoria híbrida entre duas ideias que divergem totalmente uma da outra. Esta divergência não passa de uma inconsistência cujas raízes filosóficas ainda estão para ser descobertas, mas lembre-se de não ter pressa. Não mate, não fira, não revide. Também não se desespere: nada é por acaso. Infelizmente, porém, o sentido que a natureza toma não se relaciona aos nossos objetivos pessoais. Todos os padrões possuem alguma importância e devem ser analisados na previsão de eventos futuros. Nem todos eles devem ser repetidos, mas não existe resposta absoluta sobre quais deles realmente resultarão em progresso. O conceito de progresso é eternamente ambíguo.  A ambiguidade perturba o homem, mas a desorientação é a única chave para o crescimento. Sobre Deus: seja lá o que ele for, sua essência é tão desconhecida para o homem quanto há três mil anos atrás - possivelmente hoje ainda mais. Racionalmente dizendo, você não é indiscutivelmente superior ou inferior a nenhum outro ser humano ou criatura - porque os próprios conceitos que selecionam o progresso ou o atraso de cada indivíduo não existem fora desse contexto de parcialidade em que a mente humana se encontra. É notoriamente desapontador entender a vida, mas uma breve análise mostra que desistir é inconsistente. Cada novo ato gera uma consequência de mudança ou permanência da situação vigente. Desistir é não agir e não agir é não existir.

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