Sofá
O dia estava com cheiro de cama vazia, roupa amarrotada e chocolate quente.
A chuva, desde a manhãzinha, não parava de cair do lado de fora.
No lado de dentro o silêncio tomava conta do lugar.
A depressão, ausente, descansava em algum outro cômodo não visitado da casa antiga.
Sua pele estava mais cinza do que de costume e sua barba estava por fazer.
Nenhuma lágrima foi derramada em vão.
Permaneceu no sofá
e de lá saiu.
Andou pro lado de fora, mas no sofá permaneceu.
Pegou o carro e foi dar uma volta, não havia muito o que fazer.
Chegou a um restaurante e sentou-se. Pediu a comida mais cara de lá.
Não estava preocupado com a conta, nada mais lhe interessava senão o sabor.
O prato chegou. Comeu em silêncio. Terminou de saborear a janta e voltou para casa.
Cansado, deitou-se na cama e pegou o telefone.
De repente, se lembrou do que estava tentando ignorar a tarde inteira e colocou o telefone de lado.
Ela não iria atender.
Levantou-se da cama, que agora parecia grande demais.
Procurou algo na televisão que não o lembrasse do presente, que já se fazia ali.
Desligou a TV, pegou um cigarro. Foi para o lado de fora e observou a chuva.
Ela odiaria vê-lo fumando.
Esperou o cigarro acabar e voltou para dentro.
Procurou as chaves do carro, contendo-se para não murchar.
Encontrou-as e saiu de casa. Dirigiu até uma estrada de barro e acelerou só depois de ter certeza de que não havia ninguém por perto.
Virou a primeira curva, virou a segunda. Na terceira continuou reto e caiu.
Caiu e continuou caindo.
Fechou os olhos e o tempo parou.
A vida passou-se frente a seus olhos até que ela chegou.
Com as lágrimas caindo, sorriu.
Viu seu rosto por uma última vez e caiu.
Caiu até não poder mais cair,
mas no sofá permaneceu.
A chuva, desde a manhãzinha, não parava de cair do lado de fora.
No lado de dentro o silêncio tomava conta do lugar.
A depressão, ausente, descansava em algum outro cômodo não visitado da casa antiga.
Sua pele estava mais cinza do que de costume e sua barba estava por fazer.
Nenhuma lágrima foi derramada em vão.
Permaneceu no sofá
e de lá saiu.
Andou pro lado de fora, mas no sofá permaneceu.
Pegou o carro e foi dar uma volta, não havia muito o que fazer.
Chegou a um restaurante e sentou-se. Pediu a comida mais cara de lá.
Não estava preocupado com a conta, nada mais lhe interessava senão o sabor.
O prato chegou. Comeu em silêncio. Terminou de saborear a janta e voltou para casa.
Cansado, deitou-se na cama e pegou o telefone.
De repente, se lembrou do que estava tentando ignorar a tarde inteira e colocou o telefone de lado.
Ela não iria atender.
Levantou-se da cama, que agora parecia grande demais.
Procurou algo na televisão que não o lembrasse do presente, que já se fazia ali.
Desligou a TV, pegou um cigarro. Foi para o lado de fora e observou a chuva.
Ela odiaria vê-lo fumando.
Esperou o cigarro acabar e voltou para dentro.
Procurou as chaves do carro, contendo-se para não murchar.
Encontrou-as e saiu de casa. Dirigiu até uma estrada de barro e acelerou só depois de ter certeza de que não havia ninguém por perto.
Virou a primeira curva, virou a segunda. Na terceira continuou reto e caiu.
Caiu e continuou caindo.
Fechou os olhos e o tempo parou.
A vida passou-se frente a seus olhos até que ela chegou.
Com as lágrimas caindo, sorriu.
Viu seu rosto por uma última vez e caiu.
Caiu até não poder mais cair,
mas no sofá permaneceu.
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