Metamorfose

O toque se esvai e os olhos se fecham. Corre pela espinha o frio ao caminhar pra longe e a saudade rasga o peito a cada passo dado pra trás. Tenta gritar, mas nada sai. Tenta chorar, mas tosse um riso cínico. Sua mente salta para fora e se demite, seu futuro borra o papel. As lágrimas, antes transparentes, agora simbólicas. Tudo que restou é símbolo. Seu jardim se torna floresta, sua coluna encurva e agora o homem é capaz de andar com as mãos no chão. As orelhas crescem, o coração seca, a íris perde a cor e os caninos ganham forma. Vira aquilo que resolveu virar: animalesco. Viril. Boçal.

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